domingo, 7 de fevereiro de 2010

Lamentos

Zangado com o Mundo
me sinto
A culpa é minha
não minto!

Não sei que fazer
Não sei que mudar
Apenas sinto vontade de me ajustar.

Porque fujo às normas
eu sou mesmo assim
ser como sou
por vezes dá cabo de mim!

Este problema deixa-me...
angustiado
Por outras palavras estou...
tramado?

São apenas pobres lamentos
de um rapaz,
que apesar de audaz
não se deveria queixar
Pois tem família,
um lar,
amigos:
pessoas cheias de amor para lhe dar.

Talvez só precise de tempo
para me adaptar.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Lua

E é com a lua cheia que entramos em 2010.

....

Está bem, está bem. Tecnicamente a lua cheia foi no dia 31 de Dezembro de 2009, mas ela também não "esvazia" assim tão depressa.

Dei por mim a tentar tirar significados deste facto. Do facto de entrarmos em 2010 com a lua cheia. E é claro que isso não pode dizer nada, mas pode iluminar-nos para tirarmos algumas conclusões acertadas acerca da vida.

Iluminar. A lua não tem propriamente uma "função". Isto é, ela é responsável por um determinado número de eventos que acontecem no nosso planeta Terra como a subida ou a descida das marés. Também podemos dizer que a lua nos ilumina de noite, quando o sol já se pôs.

Nem sempre ela está num estado que permita iluminar o nosso caminho da maneira que precisamos, e muito menos costuma entrar em nossa a casa como faz regularmente o Sol.

Pois a lua tem várias fases. Entre mostrar todo o seu esplendor através do reflexo da luz do Sol, até parecer um astro mais sombrio, quando tapado pela sombra da Terra. E as nuvens? Que teimosamente se intrometem no caminho da luz que a lua tenta reflectir na nossa direcção quando procuramos o caminho nas noites mais escuras?

Nós também nos caracterizamos por termos diferentes fases. Não tão regulares como a lua, que mais ou menos todos os meses volta a passar pelo mesmo estado. Mas também temos as nossas fases mais acesas e as nossas fases mais apagadas. E depois ainda temos as nossas fases em que tentamos mostrar a nossa luz, mas que por efeito de alguma "nuvem" não conseguimos.

O Sol é diferente. Embora a tecnologia ainda não nos permita tal feito já é possível, num avião tentar perseguir o Sol. Tentar seguir a sua luz à volta do mundo. Não que isso nos ajude particularmente de alguma forma, mas ajuda à minha metáfora... :) Por mais que demos voltas à Terra não vamos conseguir extrair a luz da lua se não for a altura dela.

Tantos ensinamentos que se podem tirar com a lua. Há momentos iluminados, há momentos escuros. Os momentos escuros são todos eles inevitáveis, ainda assim, podemos recorrer ao Sol durante o dia, para pelo menos nos mostrar alguma claridade. Esses momentos escuros levam o seu tempo a passar e a dar lugar aos momentos mais claros. Mas esse é o ponto importante. Os momentos claros e iluminados, cheios de esplendor, também existem.


Cabe-nos a nós aproveitar cada segundo do esplendor dos momentos iluminados que a lua tem para nos dar. E mesmo que ela esteja parcialmente encoberta pelas nuvens, ou não reflicta todo o seu potencial à conta da sombra da Terra, ela tem sempre alguma luz e beleza para nos dar.

Desfrutemos então cada pedacinho de luz sempre que for possível, pois nos momentos de total escuridão, quando nos sentirmos impotentes, termos sempre a lembrança dos momentos esplendorosos de luz que tivemos o privilégio de observar e a certeza que, mais hora menos hora, mais dia menos dia, vamos ter a oportunidade de voltar a ver esses momentos de luz. Só nos cabe a nós não os desperdiçar.

Obrigado à lua por ter entrado em 2010 com todo o seu esplendor e me ter ensinado estas lições tão preciosas. Ou pelo menos me ter feito reflectir sobre elas, quando na tarde do dia 1 de Janeiro de 2010 espreitou pela janela do meu quarto e me disse "Olá!".

Espero que o 2010 de todos seja iluminado como o é a lua no momento em que digito estas palavras!

;)

sábado, 26 de dezembro de 2009

Cancro

Eu estou a passar pela experiência de ter cancro.
Não é o fim do mundo, não é fácil.
Não é fácil ter cancro nunca, não é fácil estar doente nunca.
Quanto mais novo se é, mais difícil fica de se aceitar que se tem cancro.

Cancro. Um tumor maligno formado por uma multiplicação anormal de células de um tecido de um determinado órgão.

Ora se existem factores de risco para alguns tipos de cancro, o mesmo não acontece para outros. Se há cuidados que se podem ter para evitar ter certos tipos de cancro, eu nada pude fazer para o evitar. E no entanto ele veio. No meio da minha impotência tive de aprender a lidar com ela. A mais uma vez pensar na morte, no fim.

Quase desde o começo que tive noção que eu sairei disto completamente curado, mas ainda assim existem sempre, sempre, em algum momento alturas em que pensamos nos piores cenários.

Desde o início que o meu maior medo era a quimioterapia. Por tudo o que tinha ouvido falar dela, pelos seus efeitos agressivos e por ter de lutar contra o meu corpo para derrotar algo que ele tinha de errado.

A cirurgia foi a parte fácil. A quimioterapia foi necessária. Ainda não acabou mas está perto de terminar. Sinto-me um afortunado por ter tido o apoio de todas as pessoas que me rodeiam e de mais algumas que estão mais distantes, não só fisicamente... (essas por vezes são as que estão mais perto) mas pessoas que à partida considerava mais distantes.

A palavra "cancro" assusta muita gente. Assustei-me sim. Mas acho que consegui ser suficientemente forte para enfrentar esta luta e ainda assim pensar que há tanta gente pior que eu... que vivem a vida numa luta contínua sem verdadeiras hipóteses de saberem se um dia haverá uma cura para elas... se algum dia poderão continuar as suas vidas sem ter de carregar o fardo do cancro com elas.

Lições de vida? Crescer? Sair desta situação uma pessoa diferente?
Apenas vou sair desta apreciando muito mais as coisas boas da vida e muito mais ávido de as viver. De não desperdiçar uma oportunidade de ser feliz e de aproveitar a minha juventude e a minha saúde enquanto elas me acompanharem.

Por fim um obrigado. A todos quantos estiveram comigo de alguma maneira. Quanto mais não seja por terem tido o simples pensamento "Espero que ele fique bom depressa".

domingo, 1 de novembro de 2009

Chuva

Dias chuvosos como este só me trazem à memória a imagem de alguém enrolado num cobertor, com uma caneca de chocolate quente na mão, contemplando através dos vidros da janela o fenómeno que é a precipitação... as gotas de água que se agarram ao vidro, se aglomeram noutras gotas maiores e acabam por escorrer como se de lágrimas tratassem.
E o som? O som do número infinito das gotas que caem no solo formando poças, correntes...

Muitas vezes perante este cenário sinto-me parte desta chuva, deste som, desta imagem... desta melancolia. Desta desmultiplicação de água em minúsculas gotas que se vêm guiadas pelo vento e pela gravidade até que eventualmente voltam a ser parte dos rios, dos oceanos... completos e unos. E depois voltam a ser núvens, para que possam a voltar a cair na terra na sua pequena individualidade de gotas de chuva...

domingo, 25 de outubro de 2009

Partilha

Não tenho intenção de falar da partilha pela partilha.
Tenho intenção de falar da partilha enquanto parte integrante da felicidade.

Tenho feito pequenas reflexões acerca do meu último post, a Felicidade. Como se pode atingir uma verdadeira felicidade, tudo isso. E ponho-me a pensar no meu caso específico pois analisando mais profundamente não sei se todas as pessoas sentem isto da mesma maneira.

Bom, o que quero dizer é o seguinte... um momento de felicidade não sabe muito melhor se for partilhado com aquelas pessoas que nos dizem alguma coisa? Não se trata de uma questão de exibição, de orgulho, vaidade ou superioridade. É simplesmente poder partilhar um pouco da nossa felicidade com outra pessoa.

Eu por exemplo tenho a sensação que, quando me acontece algo que me deixa extremamente feliz, se o partilhar com alguém que amo e se sentir que isso fez essa pessoa mais feliz um bocadinho por mim eu fico ainda mais feliz.

A questão é se toda a gente pensa da mesma maneira. Se toda a gente sente da mesma maneira... Até que ponto é que uma pessoa que nós amamos (e vamos partir do princípio que ela nos ama também) vai ficar mais feliz com algo que nos está a fazer feliz? Até que ponto essa pessoa nos ama verdadeiramente se não fica feliz com algo que não nos faz feliz?

Talvez são questões que não possam ser generalizadas e que teriam de ser analisadas caso a caso. Ainda assim mantenho a minha posição. Conseguir partilhar felicidade e sentir que há reciprocidade de quem recebe a nossa felicidade é aumentar exponencialmente a nossa própria felicidade.

O Amor ainda assim é uma peça chave para que tudo isto faça sentido. O Amor comanda a vida. Não terá sempre sido assim e não irá ser sempre assim?